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Enganos e desilusões

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Neste último fim-de-semana tive oportunidade de provar uma série de vinhos num jantar de caça em Vila Viçosa, um jantar que é anual e que já que é esperado com muita ansiedade pelos convivas. Os vinhos foram desfilando, mas quero falar de quatro deles em particular.
Um frente a frente entre um "grande" português, o Chryseia 2001, considerado pela crítica como o melhor de sempre, e um espanhol que custa metade do preço, o San Roman 2001. Portanto, dois vinhos de 2001, dois vinhos que supostamente aguentavam bem o passar dos anos. O espanhol estava novo, com uma boca impressionante e com muitas anos pela frente. O português estava quase morto, sem aromas e com uma boca flácida.
O outro confronto foi entre dois vinhos alentejanos, um deles a custar quatro vezes mais que o outro. O resultado foi, mais uma vez, impressionante. O Cortes de Cima Reserva 2003 fraco e o Monte da Penha Reserva 2000 vivo e muito bom.
Que conclusões tirar disto? Andamos a ser enganados? Valem assim tanto dinheiro alguns vinhos que compramos, quando passado 10 anos não se aguentam nas pernas? São caros, têm de dar garantias! É que as desilusões já são muitas...


7 comments »

Adega dos Leigos disse...

Monte da Penha são vinhos muito bons, diferentes mas de uma qualidade excelente. E é na diferença que estes vinhos sobressaem, pois agora todo o produtor, de qualquer região, faz os vinhos com muitas parecenças, desistindo da história da região, e do tipo de vinho que cada região tinha.

Miguel Pereira disse...

Nunca tinha provado. Gostei muito!

Pedro disse...

Mas em novo, o Cortes de Cima Reserva 2003 era um vinho impressionante. Com Boa concentração e grande complexidade. Já o Monte da Penha em novo, para mim, era um vinho que não me dava grande prazer a beber.
Acho é que são vinhos com perfis completamente diferentes.

Miguel Pereira disse...

Caro Pedro, concordo consigo. Também provei o Cortes de Cima à 2 anos atrás e estava muito bom. Gostei muito. O problema é gastarmos 50 euros num vinho e ele durar apenas 7 anos. Temos de esperar mais de um vinho deste preço. Não concorda?

M.S. disse...

Miguel,

Concordo plenamente contigo. Os preços exorbitantes que se praticam nos vinhos, têm obrigatoriamente de dar garantias de um sucesso longiquo.

Pedro disse...

Eu percebo o que diz, sobretudo porque foi o Miguel que se sentiu prejudicado com uma garrafa que lhe custou 50€ e ao fim de 7 anos ela já estava morta. Mas pelo menos quando saíu para o mercado o vinho estava impecável, ao contrário de alguns Prémios de Excelência que quando os prémios são entregues os vinhos já estão cheios de defeitos.

João de Carvalho disse...

Caros amigos, um vinho que custa 50€ e passados 7 anos já está com como se viu, o defeito veio de nascença... só que as pessoas não querem ver isso e vão na cantiga do costume... a culpa é do fado.

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